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Choque Anafilático com Anestésico Local - Relato de um Caso

        Sou cirurgiã-dentista e quero, através deste relato, alertar outros dentistas com relação à necessidade de termos conhecimento e treinamento em emergências médicas e dispormos de medicamentos e equipamentos de emergência em nosso consultório.      Formei-me em janeiro de 1998 e pensava que talvez nunca fosse ter uma situação de emergência em meu consultório, principalmente com tão pouco tempo de formada, mas sempre dispus de medicamentos e equipamentos de emergência e tive um treinamento específico.     No dia 24 de março de 1999, uma data que nunca irei esquecer, uma paciente minha entrou em choque anafilático após o uso de uma solução anestésica, contendo prilocaína e felipressina. Já estava fazendo o tratamento odontológico há, aproximadamente, um ano, fazendo uso sempre da mesma composição anestésica, sem apresentar nenhuma manifestação alérgica.      Depois de uma injeção para anestesia do alveolar inferior, a paciente me relatou  o seguinte : "Engraçado! Desta vez a anestesia não pegou o lábio, mas pegou a garganta." De imediato, imaginei em um edema de glote e perguntei como era exatamente a sensação e se ela estava sentindo prurido em algum local do corpo.  Ela me relatou que era uma sensação de "aperto na garganta, como se estivesse fechando" e estava sentindo "coceira nas pernas". Não pensei em outra hipótese diagnóstica. Realmente estava diante de uma situação de choque anafilático.    Deixei a paciente em posição supina, com as pernas elevadas e, enquanto preparava a injeção de adrenalina, pedi à secretária que ligasse para um colega, Dr. Paulo Sérgio P. Guimarães, também cirurgião-dentista, para que levasse material para entubação.     Fiz a admistração subcutânea de 0,3 ml adrenalina 1:1 000 e admistração de oxigênio sob máscara 100% (10l / min). A melhora da paciente se deu rapidamente, com regressão do edema de glote, não havendo necessidade de entubação.     Resolvemos não fazer a administração de Fenergan IM, já que o quadro parecia estar controlado, mas continuamos com o oxigênio. Arrependemo-nos profundamente de não fazer o uso do anti-histamínico, pois rapidamente o quadro estava descompensado, apresentando a paciente pele fria e tremor nas mãos. A PA foi aferida e estava em 70/40mmHg. Fizemos a adminstração de 1000 ml de Ringer com Lactato EV em bolo e a PA voltou a seu valores normais. Não houve necessidade de adrenalina EV.     Se eu não tivesse conhecimento de emergências médicas e não possuísse todos os medicamentos e equipamentos no consultório, a paciente, sem dúvida, iria a óbito, pois o quadro evoluiu rapidamente e não daria tempo de transferi-la para um hospital.                

Quero agradecer ao Dr. Fernando Mendes de Almeida, que me deu a oportunidade de relatar este caso em sua página. Agradeço também ao grande amigo Dr. Paulo Sérgio P. Guimarães, presidente do Grupo de Resgate e Emergência - GRE, que me auxiliou no atendimento da paciente relatada.

KARIN SOARES GONÇALVES CUNHA Cirurgiã-Dentista e Técnica em Emergências Pré-Hospitalares